Rodrigo Westphal - Corsa 2.0

Clique nas fotos para ver o motorzinho. 4x1 na última!

 

Aqui você ficará sabendo de quase tudo que é necessário para construir um Corsa 2.0... Faça o seu também!!!

A
o contrário do que muitos podem pensar à primeira vista, a adaptação de um motor 2.0 (ou 2.2 se tiver mania de grandeza) no Corsa é simples e barata. É preciso apenas fazer uma peça de metal, que pode ser vista na foto do meio, à esquerda do cabo de vela mais de cima. Essa peça tem os dois parafusos que aparecem na foto e mais dois que não aparecem, e serve unicamente para ligar o suporte na carroceria ao suporte do motor.

C
omeçando pelos detalhes gerais, os motores da Família 2 (1.8, 2.0, 2.2, 2.4) da GM têm EXATAMENTE O MESMO encaixe para o câmbio que os da Família 1 (1.0, 1.4, 1.6 e agora 1.8). Isso já facilita muito as coisas pois pode-se usar uma caixa de câmbio de Corsa e assim poupar o trabalho de adaptar semi-eixos. De quebra o conjunto de transmissão fica bem leve, leia-se "com baixa inércia", e com isso o giro e a velocidade sobem com facilidade.

Escolhi o motor 8v por ele ter manutenção e instalação mais simples que o 16v (é possível colocar um 16v também!), e escolhi o 2.0 ao invés do 2.2 porque o primeiro tem curso mais curto e bielas mais longas em relação ao curso (a tão falada pelo BCWS relação r/l). Isso quer dizer que ele sobe de giro mais fácil e fica mais solto em altos giros, apesar de ter menos torque em baixa. O próprio mecânico que fez o meu carro constatou isso ao dirigir meu carro (o Corsa dele é 2.2). Antes que perguntem, não sinto falta de torque!

E os gastos? Muitos me fazem essa pergunta, já vou deixar registrado aqui para facilitar: foram R$ 1800 em peças usadas na troca (motor, câmbio, freios, injeção), mais R$ 500 em mão-de-obra do mecânico, R$330 em serviços e peças novas colocadas na oficina (velas, limpeza de bicos, óleo, retentores, retrabalho da borboleta etc.). Além disso foram mais os amortecedores (R$310 novos), mais as rodas (R$330 usadas) e mais os pneus (R$440 novos). Fora ainda a legalização e o escape dimensionado gastei 2630 reais para sair da oficina andando de 2.0. Tudo isso em dezembro de 2001.

Certo, mas e o que afinal é necessário para transformar o Corsinha em uma máquina nervosa? Basicamente não muita coisa, lembrando que o meu carro e o do Jaime (mecânico) não têm ar condicionado nem direção hidráulica. A adaptação do jeito que está explicada aqui não é o que seria 100% correto (logo vocês vão entender), mas é o jeito mais simples e barato, e tem resultados muito bons. Rodei 14 meses até dar PT sem problemas.

>>> motor 2.0 8v MPFI
No meu caso o motor veio de um Vectra GLS 1995, originalmente com 116cv. Poderia ser de Astra velho ou novo, Kadett GSI (um bom motor para se colocar se encontrado em bom estado) ou normal, Monza, Vectra novo, até mesmo Ômega... Com o motor vieram os sensores que ficam instalados nele, o coletor de admissão, os bicos injetores e a chamada "flauta" que pressuriza os bicos. Notem que a tampa do cabeçote foi trocada por uma mais atual por motivo de estética. O coletor de escapamento que aparece nas primeiras fotos é de Astra 2.0 (modelo novo), pois a sonda lambda original do Corsa não é aquecida (1 fio) e deve ficar próxima ao cabeçote para trabalhar na temperatura certa (caso contrário o carro fica beberrão, ATENÇÃO donos de Corsa turbo ou com 4x1). Para usar outro coletor com a sonda longe da saída dos gases (4x1 como eu uso agora por exemplo) é necessário instalar uma sonda aquecida (3 fios, no meu caso do Vectra CD). Para iniciar pode-se deixar o escapamento com um coletor de ferro fundido, tubos primários de Monza, Astra ou Kadett, intermediário original e ponteira esportiva (estes últimos de Corsa mesmo). O catalisador já deve ficar muito pequeno, o jeito é tirar ou instalar um adequado (o mais ecologicamente correto). Eu posteriormente coloquei um coletor 4x1 e tubulação de 2 polegadas, mas sem outras modificações o efeito ficou mais no ronco.

>>> filtro de ar, corpo de borboleta, admissão
O coletor de admissão vem com o motor como já foi falado anteriormente. O corpo de borboleta continua o mesmo do 1.0 (ou de corsa 8v, pois a injeção vai continuar a mesma) mas retrabalhado com o miolo do Vectra, que tem 55mm se não me engano. Outra opção é a borboleta do original do 1.6, mas testei o carro com essa e com a de 55mm do Vectra e a diferença é grande. Esse retrabalho foi feito em um torneiro mecânico e custou 30 reais. O filtro de ar pode permanecer o original do 1.0, deslocado 2cm para a esquerda para caber o motor e sem aqueles bocais/difusores que ficam em cima e abaixo do filtro dentro da caixa. Não há espaço para um filtro original maior, o jeito é colocar um K&N ou outro filtro esportivo, mas com o filtro original já fica bom.

 >>> transmissão
Utilizo uma caixa de câmbio F15 com diferencial 4.19:1 vinda de um Corsa Sedan GLS 16v 99. A embreagem e o volante do motor vêm de um Astra 1.8, são mais leves que os originais do 2.0 e ajudam a subir de giro mais rapidamente, como se o volante fosse aliviado. O câmbio é bem mais longo que o do 1.0, mas é relativamente curto para o motor 2.0. O carro fica muito esperto nas arrancadas e retomadas, mas para viagens a 5a poderia ser mais longa (gosto pessoal). As homocinéticas e semi-eixos ficaram os mesmos do Corsa 1.0 e vão bem, obrigado. O meu mecânico também usa homocinéticas de 1.0 há mais tempo que eu e não teve problemas até hoje. Claro que a vida útil vai diminuir, mas cheguei a quase 30000km com o motor trocado e tudo foi bem. Esse conjunto de transmissão é bem leve e proporciona arrancadas impressionantes para um motor 2.0 original, pois apresenta menor inércia para subir de giro (além do peso em si ser menor). Se você não for um "animal" no volante e não abusar muito dificilmente terá problemas. 

 >>> injeção eletrônica e ignição
Aqui muitos devem ter arrepios, pensando que são necessárias 1000 adaptações, chicotes e tudo mais. Mas calma, é tudo muito simples. Como eu já disse vieram os bicos injetores e alguns sensores do motor 2.0. O que é preciso fazer é ligar tudo isso no chicote do Corsa, reposicionar um ou outro sensor se necessário (no meu caso o da temperatura do ar de admissão). Para completar a central da injeção foi trocada por uma de Corsa 1.6 8v, que está original até hoje. A bomba elétrica não foi trocada, só mais de 6 meses depois. Em todo caso é bom verificar a bomba e o filtro de combustível, trocando-os se estiverem desgastados. No meu carro coloquei componentes originais do Corsa. A bobina e os cabos de vela são originais do Corsa. Já as velas são de 3 eletrodos, específicas para o motor 2.0. Tudo isso funciona bem, anda quando se pisa e é até econômico indo de leve. A sonda lambda foi trocada por um modelo de 3 fios vinda de um Vectra CD. Isso foi feito pois o coletor dimensionado torna necessário instalar a sonda muito longe da saída dos gases, e assim ela precisa ter uma resistência elétrica para aquecê-la até a temperatura de funcionamento e trabalhar corretamente. Algumas pessoas não tomam esse cuidado e o carro acaba ficando com consumo excessivo. A ligação do aquecimento é feita em qualquer ponto que seja alimentado com 12V ao se ligar a ignição, como por exemplo no relé da bomba de combustível.

 >>> suspensão e freios
Esta parte não está 100% como eu gostaria no meu carro. O que fiz foi instalar discos ventilados e suas respectivas pinças (de Corsa Sedan 1.0 16v, mas pode ser de 1.6 também), barra estabilizadora dianteira do mesmo carro, amortecedores pressurizados e molas dianteiras de picape Corsa. Os probleminhas são que o freio ficou mais duro porque mantive o mesmo hidrovácuo, e a frente levanta muito em arrancadas pois as molas trabalham um pouco comprimidas (o motor é mais pesado). A altura ficou um pouco mais baixa que o original, e a barra estabilizadora diminui muito a inclinação da carroceria em curvas. É preciso ter consciência que o conjunto está meio subdimensionado e que é fácil passar dos limites (isso não é incomum em carros preparados). Quero dizer que se você sair apavorando por aí como se fosse um carro 1.0 vai se dar mal, em pouco espaço você passa muito dos 100km/h... Mas o carro não é ruim de curva não.

>>> sistema de arrefecimento
Ficou o mesmo radiador do Corsa. Não tive problemas, mas obviamente a temperatura sobe com muito mais facilidade. O ponteiro passou algumas vezes de 100 graus, um radiador de óleo ajudaria muito e já está nos planos. O Jaime tem dois radiadores de óleo no carro dele e disse que fica muito bom (deve ser até exagero). 




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Webmaster: Rodrigo Westphal
Página criada em 16/07/2002